segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Reagindo à afirmação de que os homens guardam tudo que é positivo, digno de admiração para outros homens:

De fato os seres humanos criaram seus modelos de sociedade baseados no antropocentrismo, mas eu diria que é (palavra inexistente) anerocentrismo: "o mundo centrado no homem". Tudo tem o macho como modelo, como objetivo, como fim. Na verdade, a noção de que deve haver um homem em tudo que dê certo, espelha a divisão entre "o que é de/para homens" e "de/para mulheres". Se deu certo, se procura o homem que possibilitou o sucesso, se não, faltou um homem no comando. Isso é o que foi imposto por milênios às mulheres, relegadas a um papel secundário em todas as realizações humanas, e quando elas, por razões várias, acabavam se destacando (com uma grande dose de coragem) eram eclipsadas intencionalmente para que não servissem de exemplo às outras. Infelizmente, muitas mulheres hoje ainda se recusam a assumir o protagonismo em todas as áreas de atividade humana, preferindo jazer na posição "atrás de um grande homem" que lhes foi destinada. Isso também é um dos fatores responsáveis pela falta de modelos femininos disponíveis de sucesso (em todas as suas vertentes). Enquanto não houverem modelos femininos dignos de espelhamento para nós homens, ficaremos restritos a termos os exemplos masculinos e só. Para que haja essa verdadeira "revolução cultural", nós precisamos deixar de ofuscar as mulheres, mas elas também devem seguir o seu destino, que é brilhar, a despeito do que digam os conservadores de plantão. Lembro sempre que a luz do sol imiscui-se na neblina, mas se ele não brilhasse por si próprio isso não aconteceria. Não basta reclamar, é preciso agir, os dois sexos visando uma nova sociedade mais parelha em oportunidades e em respeito, que é muito bom e todos gostam.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Reagindo ao absurdo de pensarem (e pior, de falarem) que os professores universitários fazem lavagem cerebral nos alunos:
Vocês têm razão. Nós universitários temos a mente tão fraca que os professores nos fazem lavagem cerebral. Eles nos convencem de que o melhor para o nosso país é cada um por si, buscando o seu primeiro milhão. Sim, não importa que milhares de pessoas estejam passando fome por não terem o mínimo de formação necessária pra arranjar um emprego. É culpa dos professores comunistas que as pessoas não possam andar na rua sem medo de assaltos e balas perdidas, que as mulheres não possam ir visitar um parente, se divertirem, trabalharem ou ao supermercado sem medo de serem abusadas ou estupradas. É culpa dos professores comunistas que uma pessoa passe cerca de 15 anos na escola, e ao final do ensino médio esteja disputando com outros em situação social tão vulnerável quanto ela um emprego de salário mínimo, que é quase a metade do que seria o ideal para ter um MÍNIMO de bem estar familiar. Esses malditos professores são responsáveis por todas as mazelas do país...
Só que não. O Brasil nunca foi comunista, nem ao menos socialista, ele foi governado por dois presidentes de centro-esquerda, durante 14 anos, e o resto da sua história por barões do café, pecuaristas leiteiros, militares golpistas e empresários vários e do agronegócio, ou os representantes de todos os citados, abertamente ou não; logo, os responsáveis são os presidentes de centro-esquerda, e os anteriores foram "os melhores do mundo".
O nosso país passou de um regime escravagista para um de exploração de todos os que não detinham os meios de produção, feito por uma elite que teima em manter o Brasil no século XIX. Não sei quanto às outras pessoas de esquerda, mas ser de esquerda é querer oportunidades para todos, sem o conhecido discurso de "superação", que é invocado sempre que um pobre tem uma conquista. Todas as vezes em que dizem isso, estão dizendo que os pobres são seres menores, naturalmente incapazes, que por algum motivo obscuro, mesmo se esforçando o mesmo que os outros, conseguiram vencer. Os maléficos professores universitários têm o poder de inculcar nas cabeças dos seus alunos que desejar o bem para todos é errado, que a única punição possível para qualquer crime maior ou menor é a morte. Eles nos fazem acreditar que alguém deva ser espancado por ser diferente, e que refugiados de guerra ou da fome são criminosos que vêm pra cá pra corromper a nossa sociedade. Ensinam que a cor da pele denota capacidade intelectual, índole e valor como ser humano. Os mesmos professores mostram todos os lados de uma situação, porque estimular o aluno a pensar é lavagem cerebral.
Acordem irmãos brasileiros, parem de se deixar levar por informações das redes sociais,  leiam sobre as várias correntes de pensamento, leiam as ideias dos filósofos que lançaram as bases de TODAS as ideologias hoje em conflito. Parem de aceitar com um sorriso nos lábios ideologias de segunda mão. Os antigos romanos tinham uma estratégia chamada de "dividir para conquistar". Enquanto estamos nos tornando inimigos uns dos outros, há pessoas comprometidas com interesses obscuros (nacionais e internacionais) vendendo o que resta do patrimônio da nação, acabando com a proteção ao trabalhador, inviabilizando as aposentadorias...Temer não faz um governo de esquerda, ele governa para a classe dominante, ou seja, contra nós, povo. Só uma política de reconciliação nacional e redistribuição de renda pode salvar o Brasil, e se assim não for, seremos eternos gladiadores vendados, com espadas afiadas e lutando sem armaduras. Espero que quem gostar desse texto, compartilhe. Para quem não sabe interpretar textos para ver que ele contém ironias, só me resta lamentar, pois há muitas verdades nele também. Boa tarde, e que alguém nos salve da barbárie.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Minha reação à seguinte postagem:

Mato Grosso do Sul registra 782 suicídios na população indígena


http://www.primeiranoticia.ufms.br/saude/mato-grosso-do-sul-registra-782-suicidios-em-16-anos/1252/

 Isso se deve à mudança de padrões: hoje, os índios continuam objeto das missões que procuram convertê-los ao cristianismo, que rejeita os seus valorese a sua cultura; então o "novo índio" deixa de se identificar como tal e também não o faz como branco. Este impasse acontece porque ele não é aceito na sociedade branca, com todas as mazelas (racismo, preconceito intelectual) que isso acarreta. O que as pessoas não entendem é que ser índio é viver pari passu com a sua teligião e costumes: sem isso, eles não se sentem confortáveis em viver numa cidade, por exemplo, e se tornam mão de obra barata e até escrava. Não é por acaso que o índice de alcoolismo nas aldeias é alarmante. Os governos têm um histórico de descaso com a população, mas no caso dos autóctones é indiferença criminosa mesmo. Há uma parcela da população brasileira que inclusive defende que eles sejam expropriados de suas terras, o que ebcerraria com chave de lata a colonização iniciada no século XVI. Agora que os registros de povos extintos se foram no incêndio do Museu Nacional, qualquer tentativa de mudar a realidade indígena é relegar os que ainda estão vivos ao esquecimento, um verdadeiro crime contra a humanidade. Pensemos bem antes de tentar mudar os outros, porque isso pode criar sofrimento e até a morte, como vimos nesta postagem. Apenas deixemos de lado a nossa sanha de moldar e controlar o outro e façamos o que é moralmente certo: cuidar bem dos que já sofreram essa violência e nos assegurar de que ela acabe de uma vez por todas.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

     Uma amiga marcou-me no Facebook, depois de assistir ao vídeo do Leandro Karnal: "As Pessoas Felizes no Brasil". Essa foi a minha resposta: Sim, querida. Pago hoje o preço de buscar o conhecimento desde cedo, de compreender do cair de uma gota de chuva à morte de uma estrela. Sei que o pé no chão frio não pode me deixar doente, e também sei que por causa de tanto conhecimento, não posso me lapidar para me encaixar nas convenções da nossa sociedade e ter uma vida "normal". Por não me encaixar em modelos, por não ser capaz de transigir frente à manipulação e por vezes imposição de um comportamento padrão, sou condenado à solidão e ao desencontro entre o amor que por vezes sinto, e o outro que me dirigem. Nesse desencontro sim me encaixo, muito embora seja corpo redondo em encaixe quadrado, e posso afiançar que "me quedo solo y triste". Beijos.